Rute Pardal
Rute Pardal
Práticas de caridade e assistência em Évora (1650-1750) organiza-se a partir de duas perspetivas de análise: a primeira centra-se nas instituições de assistência, nos seus administradores e nas suas opções enquanto distribuidores de recursos. A segunda desloca-se para a comunidade, procurando as famílias e/ou os indivíduos que, em algum momento da sua vida, foram considerados pobres, ou se apresentaram como tal e, nessa condição, beneficiaram de apoio formal. Como suporte a ambas, procede-se a uma análise de índole comparativa, colocando a realidade de Évora no contexto nacional e europeu, com o objetivo de encontrar resposta às questões que guiaram toda a investigação: que significava ser pobre em Évora, no período moderno? Quem eram os pobres e quantos eram? Que tipo de apoio lhes era concedido e que significado tinha nas suas vidas? Como se relacionaram os pobres com as instituições que os assistiam?
O presente estudo desenvolve-se em torno das elites de Évora ao tempo da dominação filipina, e das suas estratégias de controlo do poder na referida cidade. Materializar-se-á na análise de dois importantes pólos de poder que contribuíram para a definição das elites locais no Antigo Regime, e que foram estruturantes do poder politico a nível local: a Câmara Municipal e a Misericórdia de Évora. Partindo desse pressuposto este trabalho procurará identificar a estrutura do poder local, e reconstruir a composição social das elites que o controlaram. De igual modo,procurar-se-á definir as estratégias de conquista e manutenção do poder que os grupos de elite de Évora utilizaram nos sessenta anos do governo Filipino, assim como o seu comportamento perante algumas conjunturas de agitação social e política, como foram as verificadas nos primeiros e nos últimos anos dos Habsburgos em Portugal.