Teresa Fonseca
Teresa Fonseca
António Henriques da Silveira, figura de relevo da ilustração portuguesa da segunda metade do século XVIII, nasceu em Estremoz em 1725, onde viria também a falecer, em 1811. Como lente da Faculdade de Cânones, destacou-se na implementação da reforma pombalina da Universidade de Coimbra e posteriormente na sua defesa face às investidas dos adversários da remodelação pedagógica josefina, desferidas nos anos conturbados da Viradeira. Enquanto membro da Academia Real das Ciências de Lisboa, prestigiou a agremiação com o "Racional discurso sobre a agricultura e população da província de Alentejo", publicada em 1789 no primeiro tomo das Memórias Económicas. Jubilado em 1793 do magistério canónico, viveu ainda seis anos de intensa actividade como desembargador do Paço, antes da retirada definitiva para a terra natal. Legou-nos, além da memória publicada, alguns inéditos, bastante expressivos do pensamento esclarecido do autor, nas suas diversas vertentes. Entre estes manuscritos incluem-se as Memórias analíticas da vila de Estremoz, de grande interesse ainda para o conhecimento da história de Estremoz e da região envolvente, bem como da realidade sócio-económica alentejana de finais do Antigo Regime.
A Memória acerca da vila do Redondo, publicada no Investigador Portuguez em Inglaterra em Janeiro de 1815 e reeditada, em fac-simile, no presente estudo, representa um importante documento histórico sobre o concelho do Redondo e a região envolvente. Constitui ainda um texto bastante revelador do pensamento crítico esclarecido sobre a economia, a sociedade e a administração local do Alentejo de finais do Antigo Regime, em muitos aspectos aplicável ao todo nacional. Os traços biográficos do seu autor, incluindo a análise da sua actividade enquanto juiz de fora no Redondo e provedor em Évora, bem como a opção pela publicação da Memória no periódico londrino quando a sua linha editorial se reorientava no sentido de uma crítica mais aberta ao regime absolutista, permitem-nos enquadrar Bernardino Manuel da Costa Lima no sector de opinião proto-liberal, determinante no desencadear da revolução de 1820.